23 de agosto de 2013

Em pleno inverno, primaverei.


E as flores da árvore caíram uma a uma. A cada flor que começava a murchar sentia algo em mim fazendo o mesmo, só não sabia o que. A cada uma que começava a se enfraquecer sentia que uma coisa em mim que fazia mesmo. Quando a primeira caiu percebia algo em mim indo em bora também. Percebi que com o tempo nada mais ia ficando nos galhos das árvores, ela ia perdendo seu brilho e sem as suas folhas ia ficando mais frágil sobre o efeito da ventania que havia lá fora. 
Assim me senti como a árvore que via da janela, mas em qualquer lugar a ventania do lado de fora me atingia. Não importa se estava dentro de casa, na faculdade, numa festa ou dentro de mim, ela sempre me atingia. A cada fase da árvore bonita era como se fosse uma minha e não sabia se eu era como a árvore, ou se ela era como eu. Eu entendia tudo o que a árvore passava, sabia do seu frio, do seu medo e sobre tudo o que passava. De noite era bem pior, lá fora não para de ventar, aqui dentro o silêncio e o vazio de não entender aonde posso me preencher me fazia ser fria. Talvez o que me faltava podia ser o mesmo que a árvore precisava, talvez não.
Depois de uns dias fui perceber que a árvore aguentava mais do que eu. Ela era mais forte: lutava contra tudo e se fortalecia mais a cada dia. Eu só me jogava buraco a baixo e deixava a ventania me levar sem relutar. Perguntei para ela como conseguia se aguentar tudo isso que a rondava e não parava de perturbar, e com meia hora de silêncio ela me respondeu sem proferir uma palavra. Ela foi me ensinando a ser forte e lutar contra todo o barulho e fator externo.
Aprendi com a árvore o que não aprendi com a vida. Ela me ensinou que somos a morfina das nossas dores mais agudas. Somos nosso preenchimento do vazio mais profundo. Embora esteja uma ventania lá fora não podemos deixar a tempestade invadir dentro do nosso templo íntimo. O que ela não sabia era o quão difícil seria para mim tão pequena e com uma mente portadora das mais confusa das confusões confundidas. Uma cabeça com sentimentos mais a flor da pele do que as mais lindas flores que cresce em seus galhos. Tem coisas que não precisarmos que nos falem, nós já sabemos. Eu sei de mim.
Se a árvore tivesse desistido de mim tão fácil o que seria da minha cabeça agora? Não sei. Ela foi me mostrando, mesmo com as minhas relutâncias, que eu podia ser forte assim como ela, a bagunça podia ser colocada num baú se eu quisesse. Minha cabeça pequena ficou grande e a confusão coube lá dentro como uma luva. Finquei minhas raízes e não desisti de lutar contra a tempestade que queria adentrar em meu coração. O abraço da árvore me deu uma confiança que havia perdido. Pude senti sua história, sua garra e seu medo dentre seus galhos secos que me prenderam e não pudi mais me soltar. Floresci junto a ela e em pleno inverno primaverei. Sim, eu era como a árvore e ela era como eu.

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