4 de março de 2016

O papel do crítico

"Não sou nada. Nunca serei nada, não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo"



Qual é a finalidade de uma crítica? 

Sistematizar e julgar. Ponto. De maneira mais poética e certeira, "é o triste final de algo que começou como sabor, como delícia de morder e mascar". Vou ainda mais além: crítica é estar sempre um passo atrás. É procurar pegadas num deserto, só que sem o deserto. A arte é um mundo eternamente coberto por fumaça. Ela nos coage a viver esse mundo repleto de neblina densa. E devemos viver esse mundo sem medo. Podemos ser atropelados por um veículo enquanto atravessamos alguma rodovia desse mundo? Sim. Podemos esbarrar em alguém? Com certeza. Podemos nos foder sinistramente? Claro. Mas essa é a graça ("graça", no sentido roseano mesmo). O crítico quer vi(r)-ver esse mundo (trocadilho genial, ehn). Ele quer dissipar essa fumaça, ver o que está ao seu redor, fazer com que os outros vejam também. Ele quer, além de ver, descrever o que vê, questionar os porquês. Resumindo: ele quer morrer e só lembrar palavras no antes de partir. Por que falo isso? Porque quero criticar arte aqui, oras (principalmente música)... mas sem ser um crítico. Eu não quero ser um crítico. Não quero ter compromisso com a Verdade, ela que se foda. E você que se foda também, não estarei aqui para guiar ninguém hermeneuticamente. Eu tô aqui pra lamber as coisas e alucinar pessoas, pra ouvir xingamentos e correções delas. Pra dar a dose de razão diária que elas necessitam para não entrarem em parafuso. Eu tô aqui para dar voltas eternas de bicicleta numa tesourinha, às 4:45 da manhã. Você me entende? Resumindo: eu tô aqui pra criticar sem ser crítico. Ser crítico é a pior profissão do mundo, uma verdadeira lástima, não desejo esse fardo nem ao meu pior inimigo. Eu quero ser um moleque, isso sim, um moleque que vive coisas apenas. Melhor, eu não quero ser nada. Não posso.

...

Enfim, é isso ai. Vou passar a escrever bobagenszinhas aqui de vez em quando. Não vou me ater a termos técnicos ou precisos. Então eu posso vir a falar da "melodia de uma música", numa parte flagrantemente harmônica, simplesmente por estar afim ou achar melhor, mais expressivo. Farei muito isso. Até hoje eu prefiro falar "flumenis" a "fluminis", o "e" proporciona uma noção de rio, vastidão e monotonia muito maior que aquele "i" mixuruca. É isso ai, bora lá. Flw vlws

Tuzinho

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